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Dores Crônicas | Instagram e Facebook Namorados do Racismo e Crias do Fascismo



O termo "rede social" é um dos mais equivocados que se possa ter. A definição de "rede" sugere na ligação de nós ou entrelaçamento de pontos, enquanto que "social" se refere as relações de membros da sociedade. Ora, a forma como o Facebook e o Instagram vem trabalhando passa longe de tais definições! No âmbito da rede, essa ligação de pontos não ocorre, pelo menos não como deveria, existem as interrupções, ou seja, a informação de determinado indivíduo não chega em toda suas conexões. No quesito social, a censura imposta pela empresa de Zuck impede o relacionamento entre membros da sociedade. Tanto Instagram como Facebook funcionam bem como uma rede para uma determinada classe de pessoas, a rede dos que pagam para usar os serviços promocionais que são ofertados e uma sociedade que anda sob coleira que imposta.

Você deve ter algum conhecido, mesmo que distante, que tenha sofrido com censuras nas "redes sociais", se não, eu me apresento. Recentemente o uso de algumas palavras - principalmente as que ofendem a gadosfera - fez com que eu tivesse meu perfil no Facebook suspenso, primeiro por um dia todo, na reincidência a pena aumentou para sete dias, até chegar em um mês. No ano de 2021 eu passei mais dias suspenso do que usufruindo de algo que teoricamente é meu. se reincidente a pena aumenta para sete dias e depois um mês. Usar palavras, textos, imagens e qualquer outra coisa que a ditadura de Zuckerberg impõe é certeza de perder a conta. Não tô dizendo que se perde a conta por mau comportamento, estou dizendo que se perde a conta por contra o que o Facebook prega! Tem uma baita diferença.

Quem nunca se deparou com um reaça nos comentários de alguma publicação do UOL ou do Terra? Aliás, toda vez que tem uma notícia sobre feminicídio, homofobia ou racismo – por exemplo – a enxurrada de reações com “haha” é impressionante. O “haha” virou a suástica 2.0, ferramenta preferida dos canalhas, que através de um único símbolo espalham ódio e desdenham de lutas importantes.

O perfil do Submundo do Som tinha cerca de 1.600 seguidores, o que você pode achar pouco, ou pouquíssimo. E realmente é. Mas dentro do underground, ou seja, dentro de onde realmente importa, era significativo. Ao menos 1.600 pessoas estavam mais bem informadas que qualquer seguidor do Régis Tadeu ou do Whiplash (e não, nosso público não é o mesmo!). O Instagram acho que seria bom derrubar esse modesto perfil e assim o fez. Ao tentar reavê-lo uma mensagem dizia para preencher um formulário e enviar uma cópia digital de documentos. Eu fiz, mas uma coincidência tão grande quanto ao do patriota que é a favor da família e contra as drogas, mas cheira cocaína em prostibulo na saída do expediente, foi o site estar passando por instabilidade e não conseguir dar andamento na minha solicitação. Tudo bem, eu ainda tinha 30 dias para que o equívoco fosse desfeito e eles me liberassem a conta e voltássemos a ser felizes como o patriota citado. Mas, durante os 30 dias, a instabilidade na ferramenta persistiu e o perfil foi apagado para sempre como uma conta de Orkut em 2014. 





Mas você pode estar achando que é apenas coisa da minha cabeça, pois na sua rede está tudo bem, já que os memes não param de chegar e ninguém desmarcou a resenha de mais um sábado. Mas não tá tudo bem, infelizmente não sou o único que passa por essa ceifação do Meta. Em outubro de 2021 o perfil Jornalistas Livres foi desativado pelo Instagram. A conta possuía 619 mil seguidores e se prestava a reunir notícias em prol da democracia, escritas por jornalistas independentes. João Gordo, do Ratos de Porão, se viu obrigado a criar um novo perfil após a empresa desativar sua conta. Gordo usava seu perfil para, dentre outras coisas, criticar o desgoverno brasileiro. Antes de abrir nova conta, ele já havia recorrido quatro vezes na justiça para liberar o acesso, em todos João ganhou, porém o Instagram seguiu reincidindo em seu "equivoco". Até a conta nova de João Gordo já foi bloqueada, mas o artista conseguiu reaver. 

Outro exemplo vem do mundo dos cartuns e tiririnhas de humor que foram retiradas sem mais nem menos da plataforma, o conteúdo delas? Eram antirracistas! Artistas se propuseram a utilizar de sua arte para a luta antirracista, mas o Instagram não gostou, como aconteceu com o cartunista Leandro Assis, autor de Os Santos, uma sátira o modelo de vida da família branca e rica que despreza seus empregados negros e periféricos, um retrato fiel do Brasil. A primeira tirinha a ser derrubada foi a intitulada "O Anjo", que foi contestada e voltou para o ar, mas a tira "Minha Alma" não teve o mesmo desfecho e segue fora do Insta. outra censura ocorreu com Rita Lee que usava uma camiseta com frase - em inglês - em defesa aos animais, o Instagram censurou alegando ser uma ameaça aos detratores de animaizinhos (é mole?). Djonga, rapper mineiro que popularizou a icônica rase "Fogo nos racistas" teve seu alcance limitado no Instagram, suas postagens não chegam em seus fãs e até a procura pelo nome do cantor no campo de busca não leva ao perfil oficial.




Os exemplos de censura tanto do Facebook como do Instagram são inúmeros ao passo que outras plataformas que mereciam um olhar sobre suas postagens são isentas e fazem o que bem querem como o Twitter, Telegram e Linkedin, sim o Linkedin! A rede criada para conectar profissionais e compartilhar currículos no intuito de alocar pessoas no mercado de trabalho se tornou um dos maiores núcleos de filha da puta da internet, dentre contar vantagens sobre cargos e histórias de meritocracia (histórias para boy dormir) há discursos xenofóbicos, misóginos, racistas e homofônicos, muitas vezes ofertando vagas arrombadas (como o perfil de mesmo nome que as reúne, como forma de denúncia e protesto), vagas essas em que o sujeito tem que pagar para trabalhar ou lamber os pés de alguma madame bolsonarista.

Recentemente o Twitter foi comprado por um apaixonado por Trump, que por sua vez havia sido expulso da ferramenta por fake news, tanto que quando a compra se oficializou os conservadores brasileiros entraram em festa (até prêmio o governo do país concedeu a Musk, pelos seus “serviços prestados”). Poucas horas após consumado o fato, milhares de robôs passaram a seguir as contas do clã do Bozo, que logo vieram a público dizer que "a nova política da empresa (Twitter) já refletia". Fake news ao vivo! Já o Telegram se tornou o principal reduto dos gados justamente por permiti que qualquer coisa fosse aceita, de fraudes a compra e vendas ilegais. Quando a plataforma foi notificada, virou as costas e fingiu que não era com ela.

Notem que os perfis derrubados no Instagram e no Facebook têm uma característica em comum, são páginas à esquerda e que criticam sem medo os posicionamentos anti-povo. Artistas do punk rock, Hip Hop, reggae ou de manifestações de artes que não fecha os olhos para as atrocidades bolsonaristicas quando não derrubados, os perfis perdem o seu alcance. Perfis de sertanejos, ex-BBB ou atores que fizeram sucesso há mais de trinta anos e apertaram 17 na última eleição seguem crescendo, assim como os podcasts com pseudo-entrevistadores que conseguem ser mais otários do que os entrevistados que pescaram na lata de lixo.

Termino essa reflexão clamando por piedade, não dos arrombados do Meta (Facebook e Instagram), deles eu só quero a guilhotina. Mas peço compaixão dos amantes da liberdade de expressão para que ajudem em engrossar o coro dos descontentes sobre esse tema. Sabemos que, nós os criadores de conteúdo e noticiadores, mesmo que undergrounds, temos responsabilidade no que compartilhamos, não tem ninguém do lado de cá moscando quanto a isso. E quem soma na luta, siga, comente, compartilhe publicações em perfis e páginas como essas citadas e as inúmeras outras que tem por ai, essa é uma forma de bugar o algoritmo dos canalhas, pois ainda não ensinaram um Intel o que é amor.

Convido para assistirem ao clipe da banda Asfixia Social para a música "Censura Não":

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